SOBRE CIÊNCIA & PROFISSIONAIS DA INFORMAÇÃO

 

Isa Maria Freire

Doutora em Ciência da Informação

Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (MCT/IBICT)

 

 

 

Na sociedade contemporânea a ciência tornou-se a principal forma de conhecimento sobre o mundo, traduzindo-se no desenvolvimento tecnológico que transformou os meios e as relações de produção no decorrer do século XX. E como resultado de processos em uma formação econômica, as atividades científicas e tecnológicas se inserem nas estruturas sociais, atendem a necessidades da organização econômica e fazem parte do sistema de trocas simbólicas e materiais da sociedade contemporânea[1].

 

Nesse contexto, o principal fator de mudança e criação de riquezas tem sido o progresso tecnológico, através da inovação ou aplicação do conhecimento científico com sucesso econômico[2]. É assim que, no nosso tempo, o sucesso nas atividades produtivas tem sido caracterizado pela busca de informação em fontes relevantes, pela capacidade de absorção de novas tecnologias digitais e, especialmente, pela competência humana em analisar, produzir e avaliar informações[3]. Dessa forma, ao investir no conhecimento científico e tecnológico, os grupos produtores de bens e serviços estão desenvolvendo sua capacidade de “reconhecer, assimilar e explorar informações disponíveis”.[4]

 

Ao longo desse processo histórico, a dinâmica da produção científica e tecnológica desenvolveu seu próprio sistema de comunicação, de modo a promover a circulação e troca de informação. Assim, em meados do século passado a Ciência da Informação emergiu no campo científico, “não por causa de um fenômeno específico que existia antes e que veio a se tornar seu objeto de estudo – mas por causa da necessidade de abordar um problema que mudara completamente sua relevância para a sociedade”.[5] Nessa perspectiva, a nova área científica se caracteriza pela função social de “facilitar a transmissão de conhecimento para aqueles que dele necessitam”.[6]

 

Essa função se realiza, concretamente, através da interação com inúmeros outros agentes, mecanismos e canais de comunicação da informação, criando-se novas oportunidades sua transferência para grupos de usuários na sociedade, tanto no setor de ciência e tecnologia quanto no setor produtivo. Nesse sentido, torna-se relevante o papel dos profissionais da informação como facilitadores da comunicação para usuários que necessitam de “conhecimento para ação”[7] e fontes que produzem, organizam e distribuem informação.

 

Por outro lado, para apoiar sua ação na sociedade os profissionais da informação necessitam conhecer os receptores da informação, seus usuários reais (que já se utilizam de serviços e produtos de informação) e potenciais (que podem vir a buscar informação nas fontes disponíveis). Nessa perspectiva, o estudo dos canais de comunicação e mecanismos de transmissão entre fontes de informação e seus usuários na sociedade tornou-se uma questão de interesse para a Ciência da Informação[8].

 

O potencial de qualquer grupo produtor de bens e serviços para receber informação pode ser considerado como uma função do seu meio ambiente, envolvendo fatores econômicos, políticos e culturais. São as características de cada grupo, incluindo recursos humanos e materiais, padrões de comunicação e processos de tomada de decisões que irão condicionar a realização do seu potencial de inovação e desenvolvimento.

 

É nesse espaço de relações que os profissionais da informação podem atuar, seja para o desenvolvimento de metodologias de gestão da informação ou de novos formatos para produtos e serviços de informação, sempre atentos aos sinais de demanda dos grupos de usuários. Essa é a nossa praia, a informação. Somos responsáveis pelo acesso e pela preservação dos recursos. Isso posto, bom proveito a todos!

 

 

 



NOTAS

 

 

[1] ARAUJO, V.M.R.H. de. Sistemas de Recuperação da Informação: nova abordagem teórico-conceitual. Rio de Janeiro, 1994. Tese (Doutorado em Comunicação e Cultura). UFRJ/ECO.

[2] FREIRE, I.M. Transferência da informação tecnológica para produtores rurais: estudo de caso no RN. Rio de Janeiro, 1987. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação). IBICT – UFRJ.

[3] CRONIN, B.; TUDOR-SILOVIC, N. (Ed.) The knowledge Industries. Levers of economic and social development in the 1999s. London: Aslib, 1990

[4] LASTRES, H.M.M. Processo de inovação e Sistemas Nacionais de Inovação. In: Teorias da inovação tecnológica. Rio de janeiro,: Petrobrás – UFRJ, 1994

[5] WERSIG, G.; NEVELING, U. The phenomena of interest to information science. The Information Scientist. v.9, n.4, p.127-140, 1975, p.128

[6] Idem, id.

[7] Definição de informação. WERSIG, G. Information science: The study of postmodern knowledge usage. Information Processing & Management, v.29, n.2, 1993.

[8] ARAUJO, V.M.R.H. de; FREIRE, I.M. A Rede Internet como canal de comunicação, na perspectiva da Ciência da Informação. Transinformação, v.8, n.2, 1996