Publicado em Você S/A, edição 62, agosto de 2003. p.58. Espaço Livre

 

 

 

O FUTURO É AGORA

 

Por      Isa Maria Freire, doutora em Ciência da Informação [isafreire@globo.com]

Professora-pesquisadora no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação MCT/Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia   

 

 

Sou do tempo em que eram poucas as opções de resposta à clássica pergunta “O que você vai ser quando crescer?”: médica, professora, engenheira (menos), assistente social (mais), advogada. Depois de formada professora primária, escolhi ser bacharel em Ciências Sociais, me habilitei em sociologia e antropologia, mas hoje sou cientista da informação. Continuei na área social, mas encontrei um novo campo de atividade profissional, que vem se consolidando à medida em que o real e o virtual se misturam no caldeirão das novas tecnologias de informação e comunicação.

 

Desde a passagem de Alexandre, o Grande, por este planeta, quando se abriu a Biblioteca de Alexandria à visitação de sábios de todo o mundo então conhecido, não se via igual movimentação das pessoas em busca da informação e do conhecimento por ela representado. A diferença no nosso tempo pós-moderno, é que apesar de serem inúmeras as fontes de informação ninguém precisa sair de casa para ir à biblioteca: é bastante acessar a Internet e adentrar as bibliotecas virtuais. É o show contemporâneo das faladas TICs (tecnologias de informação e comunicação).

 

Atrás do palco, fora do cenário de luzes e cores que criaram com seu trabalho, estão os profissionais da informação. O que eles fazem? Inventam os robôs de busca que encontram as bibliotecas virtuais na Internet, ou criam as árvores temáticas que relacionam milhares de termos durante uma busca on-line, ou desenvolvem os aplicativos para recuperação da informação em situações específicas, ou elaboram as estratégias de busca de informação relevante em bases de dados com milhões de itens (relevantes) armazenados... Ou pesquisam as configurações sociais e políticas da informação (com ênfase no registro da cultura local para comunicação pela Internet), orientam trabalhos científicos e oferecem cursos, como eu faço no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação.

 

Os profissionais da informação são bibliotecários, documentalistas, arquivistas, cientistas da informação, analistas de sistemas, jornalistas e editores científicos: fazem parte de um conjunto de categorias que começam a aparecer nas listas das “profissões do futuro”. Posso lhes garantir que para os profissionais da informação o futuro já chegou. Em todo o mundo há carência de profissionais competentes para organizar, armazenar, recuperar e transmitir informações relevantes. É a nova relevância de um fenômeno antigo  — a informação —,  agora definitivamente reconhecido como recurso estratégico para o desenvolvimento econômico e social.

 

Como se vê, nesses novos tempos de internet banda larga e conexão wireless, a pergunta lá de cima admite respostas que nunca poderíamos imaginar naqueles velhos tempos.