O amor como expressão  arquetípica

 

por

 

Isa Freire    Sônia Reis

 

Palestra, seguida de vivência, na Jornada de Afetividade em Biodança,

Búzios, RJ,  29/fev. a  3/mar. 1996

 

 

 

Vamos falar um pouco sobre "o que é o arquétipo", depois sobre o amor na história da humanidade. Contaremos um pouco dessa história para, em seguida, facilitar uma vivência sobre o arquétipo cristão.

 

E o que vem a ser "arquétipo" ?  Jung traduzia esse termo como "imagem primordial", e assim o entendia na perspectiva da psique humana, que funciona com e a partir de imagens. Seria uma imagem primitiva, primeira, original.

 

Na natureza, os arquétipos estão presentes em todos os sistemas. O arquétipo é um padrão de organização da energia e esses padrões são encontrados em todos os sistemas do universo. Há um padrão [um atrator] que organiza as formas de expressão da energia em qualquer sistema dado.

 

O arquétipo é uma forma que a vida encontrou para se expressar, para manifestar sua potência criadora e seus mecanismos de manutenção. No átomo, ela se expressa com essa forma interativa entre protons, neutros, eletrons e quarks, e essa manifestação criou o universo em que vivemos. Nos animais e nas plantas, se expressa no genoma, o código que contém os arquétipos filogenéticos da espécie. O arquétipo se organiza biologicamente como instinto e se expressa através da ação no mundo, do comportamento na luta pela sobrevivência dos genes. Os arquétipos, então, são possibilidades de organização da energia nos sistemas viventes.

 

Na perspectiva de Rolando Toro, o universo é um grande sistema vivente e nele interagem incontáveis subsistemas, cada um com seu nível de troca de energia e sua expressão arquetípica. Mas como se expressam os aspectos biológicos e comportamentais de um arquétipo, por exemplo, o arquétipo materno ?

 

Consideremos um animal da família dos mamíferos, um gato. Suas crias, como as crias dos humanos, se desenvolvem numa placenta e são amamentadas por um =