INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO: EM BUSCA DA SABEDORIA

 

 

Por      Isa Maria Freire

            Antropóloga. Doutora em Ciência da Informação (MCT/IBICT)

            isafreire@globo.com

 

 

            “Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento,

            Onde está o conhecimento que perdemos na informação?[1]

 

 

Os versos sugerem o que o dicionário confirma: sa.be.do.ri.a [s. f.], envolve conhecimento e informação, embora um e outra não lhe alcancem o sentido e a relevância para a sociedade humana. Da informação diz-se haver desde sempre, constituindo um domínio independente do tempo e do espaço. E do conhecimento, que se conta no tempo histórico, desde que provamos o fruto da Árvore do Bem e do Mal e nos tornamos eternos através do processo de evolução cultural cumulativa.

 

Parece que a maior abundância está na informação: existimos em meio a esse “caldo primordial” onde se misturam átomos e genes, vivendo no Planeta Terra o mito da unidade primitiva em meio à real separação de raças, línguas e credos. Já a possibilidade biológica de “conhecer” está na origem das técnicas, da linguagem, da arte, religião e ciência, mas depende do grupo em que se vive desde o cotidiano às experiências místicas. Essa “possibilidade” se expandiu com a invenção da escrita e pode voar nas asas da informação: receitas, aforismos, registros astronômicos, contábeis e populacionais, poemas, fórmulas e outras representações do conhecimento se espalharam pelos quatro cantos do mundo.

 

Quanto à sabedoria, mais longo e desafiante será o caminho a percorrer na sua busca. Nesse sentido, acredito que partindo da informação sobre a unidade do nosso DNA será possível compreender o caráter inexoravelmente coletivo da espécie humana, apesar da autonomia existencial de cada indivíduo. E assim, resgatar a sabedoria de quem nos exortou a “amar ao próximo como a si mesmo”, baseado no conhecimento de que fora da solidariedade não há salvação para a humanidade.  

 



[1] ELIOT, T.S. Chorus from the rock. London: Faber, 1947